TRABALHO PRÁTICO
INSTITUTO DE ENSEÑANZA SUPERIOR EN LENGUAS
VIVAS
“JUAN RAMÓN FERNÁNDEZ”
Gramática da Língua Portuguesa
Profa.:
Daniela Peez Klein
EXAME FINAL LIVRE
Estudante: Lidia Vindilina Tavares
Data:10/05/2025
Trabalho prático integrador de Gramática da Língua
Portuguesa
O exame apresenta propostas de trabalho e reflexão.
Suas respostas devem esgotar o assunto colocado nos comandos e perguntas.
Avalia-se: solidez nas explicações, domínio da bibliografia, interrelação de
conceitos e a capacidade de reflexão a partir das leituras analisadas.
1. Explique o
conceito de gramaticalização de Auroux e relacione com língua, norma (culta,
padrão, etc.), paradigma tradicional de gramaticalização (F. Vieira da Silva) e
co-existência de paradigmas linguísticos -tradicional, gerativo e funcionalista-
e suas gramáticas. Apresente e estabeleça relações entre tais paradigmas
utilizando ao menos 4 dos seguintes elementos para a caracterização de cada
abordagem: objeto de estudo, conceito de língua, unidade de análise,
metodologia, relação semântica-pragmática-gramática, norma, língua gramatizada.
(Aproximadamente 1000 palavras)
O
conceito de gramaticalização,
conforme proposto por Sylvain Auroux, representa um processo histórico e
cultural pelo qual uma língua passa a ser sistematicamente estudada, codificada
e normatizada. Esse fenômeno ocorre quando um idioma se torna objeto de
reflexão e descrição científica, originando gramáticas, dicionários e outros
instrumentos linguísticos que formalizam o uso da língua.
Esse processo não ocorre de maneira neutra,
pois a gramaticalização estabelece uma norma de correção e padronização que
impacta diretamente no ensino, na comunicação e na percepção social da língua. A
gramaticalização pode ser vista como um marco na história das línguas, uma vez
que define padrões de uso, influencia políticas linguísticas e estabelece
hierarquias entre variedades e registros.
A norma
culta e a norma padrão são diretamente afetadas pelo processo de
gramaticalização, pois, ao serem institucionalizadas, tornam-se referência na
educação formal, na mídia e na literatura.
A norma
culta é caracterizada como a variante da língua promovida como modelo ideal
de uso, com maior prestígio social e geralmente associada a contextos formais e
à escrita.
A norma padrão, por outro lado, funciona
como um referencial oficial adotado em documentos, leis e no ensino público,
servindo de parâmetro para avaliação da adequação linguística.
Entretanto,
o processo de gramaticalização pode gerar conflitos
sociolinguísticos, pois nem todas as variantes da língua recebem o mesmo
reconhecimento. Dialetos, variedades regionais e formas populares muitas vezes
são marginalizadas, dando origem a percepções de erro ou inadequação quando
comparadas à norma padrão. Dessa forma, a gramaticalização não apenas
sistematiza o idioma, mas também reforça hierarquias sociais e ideologias
linguísticas que influenciam o modo como os falantes percebem sua própria
linguagem.
Paradigma
tradicional de gramaticalização e coexistência de paradigmas linguísticos e
para compreender as diferentes abordagens sobre a língua, é fundamental
examinar os paradigmas linguísticos e
suas respectivas gramáticas.
A gramaticalização das línguas está
intimamente ligada ao paradigma
tradicional, que tem sido predominante desde os primeiros estudos
gramaticais do latim e do grego. Entretanto, outros paradigmas surgiram, como o
gerativo e o funcionalista, cada um
com perspectivas distintas sobre o fenômeno linguístico.
1. Paradigma Tradicional
O
paradigma tradicional tem suas raízes na visão normativa e prescritiva da língua. Ele se preocupa essencialmente
com a correção gramatical e a
preservação das regras estabelecidas ao longo do tempo.
Objeto de estudo: A norma-padrão da língua, com
foco na definição de regras e no combate ao que é considerado desvios
linguísticos.
Conceito de língua: Sistema homogêneo e estático,
idealizado e desvinculado das práticas dos falantes.
Unidade de análise: Frase ou oração, com forte ênfase
na estrutura sintática e nas relações formais entre os elementos linguísticos.
Metodologia: Prescritiva e normativa, baseada em regras fixas e
exemplificações retiradas de textos literários clássicos.
Relação semântica-pragmática-gramática: A semântica e
a pragmática são secundárias; prioriza-se a organização gramatical correta.
Norma: Norma-padrão escrita, idealizada e homogênea, baseada
na tradição greco-latina.
Língua gramaticalizada: Português
europeu clássico, com pouca consideração às variações do português brasileiro.
O
paradigma tradicional, apesar de sua forte presença na educação, vem sendo
criticado por desconsiderar a natureza dinâmica da língua e por impor regras
que nem sempre condizem com a realidade do uso linguístico.
2. Paradigma Gerativo
Desenvolvido
por Noam Chomsky, o paradigma gerativo
busca explicar a competência linguística dos falantes, ou seja, o conhecimento implícito
das regras da língua.
Objeto de estudo: A estrutura profunda da língua e a
capacidade dos falantes de gerar frases de forma gramaticalmente correta.
Conceito de língua: Sistema formal e abstrato, baseado
em regras universais que regem todas as línguas.
Unidade de análise: Sentença, analisada em termos de
estrutura profunda e estrutura superficial.
Metodologia: Dedutiva e introspectiva, baseada em modelos
matemáticos e formalizações teóricas.
Relação semântica-pragmática-gramática: Semântica
subordinada à sintaxe; a pragmática tende a ser ignorada.
Norma: A norma padrão não é foco de estudo; a ênfase está na
identificação das regras universais da linguagem.
Língua gramaticalizada: Língua
idealizada, sem considerar variações sociais ou regionais.
Embora
revolucionário, o paradigma gerativo tem sido criticado por sua abordagem
abstrata, que ignora contextos sociais e pragmáticos.
3. Paradigma Funcionalista
O
paradigma funcionalista surge como uma alternativa ao estruturalismo e ao
gerativismo, enfatizando a língua como
prática comunicativa e destacando sua função social.
Objeto de estudo: O uso real da língua em interação
comunicativa.
Conceito de língua: Sistema dinâmico e funcional,
adaptado às necessidades da comunicação.
Unidade de análise: Texto e discurso, considerando o
contexto e a intenção comunicativa.
Metodologia: Indutiva e empírica, baseada em observação e dados
reais.
Relação semântica-pragmática-gramática: Integra
semântica, pragmática e gramática, valorizando o uso linguístico.
Norma: Reconhece a variação linguística e legitima
diferentes normas, incluindo as variantes populares.
Língua gramaticalizada: Português
brasileiro contemporâneo, considerando suas variações regionais e sociais.
Esse
paradigma rompe com abordagens prescritivas, permitindo uma visão mais
abrangente do funcionamento da língua.
Relações entre os
paradigmas:
A
interação entre os paradigmas evidencia a evolução do pensamento linguístico e
a diversidade de perspectivas sobre a língua. Algumas relações notáveis
incluem:
Paradigma tradicional e gerativo: Ambos idealizam
a língua, mas diferem na abordagem; enquanto o tradicional prescreve normas, o
gerativo busca regras subjacentes.
Paradigma funcionalista versus tradicional e gerativo: O funcionalismo
questiona a visão estática da língua, integrando aspectos pragmáticos e
sociais.
Coexistência dos paradigmas: Na linguística
contemporânea, os paradigmas coexistem, influenciando ensino, pesquisa e
produção gramatical. A compreensão da gramaticalização e dos paradigmas
linguísticos é fundamental para analisar como as línguas são descritas,
ensinadas e regulamentadas, revelando tanto aspectos técnicos quanto questões
sociais e políticas.
2. Apresente
brevemente as seguintes unidades de análise para A. Castilho: morfema, palavra,
sintagma e sentença. Utilize uma mesma frase de língua em uso para os exemplos
de todas as unidades.
O menino inteligente leu um livro interessante na
biblioteca.
1. Morfema
Unidade mínima da estrutura gramatical,
associando significante e significado.
Exemplo:
menino = {menin-} (radical) + {-o} (morfema
de gênero masculino).
leu = {le-} (radical) + {-u} (morfema de
tempo passado).
2. Palavra
Unidade que associa um conjunto de morfemas,
podendo ser variável (flexionável) ou invariável.
Exemplo:
inteligente (adjetivo variável:
inteligente/inteligentes).
na (preposição invariável).
3.Sintagma
Associação de palavras articuladas em torno
de um núcleo (substantivo, verbo, adjetivo, advérbio ou preposição).
Exemplo:
O menino inteligente = Sintagma Nominal
(SN) com núcleo menino.
na biblioteca = Sintagma Preposicional
(SP) com núcleo biblioteca.
4. Sentença
Unidade que combina propriedades
fonológicas, sintagmáticas, semânticas e pragmáticas.
Exemplo:
O menino inteligente leu um livro
interessante na biblioteca."é uma sentença declarativa, composta por:
SN sujeito (O menino inteligente),
SV
(leu um livro interessante),
SP adjunto (na biblioteca).
Castilho enfatiza que essas unidades são
interdependentes e refletem processos dinâmicos da língua, não apenas produtos
estáticos. A frase exemplifica como morfemas compõem palavras, que formam
sintagmas, os quais se integram em sentenças.
2.1
Relacione sentença (A. Castilho) com frase, oração e
período (M. Perini ou C. Cunha).
1.Sentença (Castilho): Definição: Unidade linguística
multifuncional que integra propriedades fonológicas, sintagmáticas, sintático
funcionais, semânticas e pragmáticas. É uma estrutura complexa que pode ser
simples (um ato de fala) ou composta (múltiplos elementos interligados).
Aspectos-chave:
Gramatical:
Combina sintagmas, argumentos, papéis temáticos.
Pragmático:
Funciona como um ato de fala (declaração, pergunta, ordem etc.).
Semântico:
Veicula significados contextualizados.
2. Frases,
orações e períodos (Perini):
Frase: Unidade comunicativa delimitada
por entoação/pontuação, podendo ser verbal (Choveu!) ou não verbal (Silêncio!).
Característica: Independe de estrutura sintática completa.
Oração: Definição: Frase com predicado
(verbo ou locução verbal) e estrutura sintática interna (sujeito,
complementos).
Exemplo: (As
crianças brincam no parque.)
Período: Definição: Conjunto de
orações que forma uma unidade sintática
completa:
Simples: Uma
oração (Ela estudou).
Composto:
Duas ou mais orações ("Ela estudou, mas não se saiu bem").
|
Sentença (Castilho) |
Equivalente (Perini) |
Exemplos : |
|
Sentença
simples |
Oração |
O menino saiu. |
|
Sentença
complexa |
Período
composto |
Brasil jogou
bem, mas perdeu o jogo. |
|
Sentença não
verbal |
Frase |
Que ódio. |
|
Sentença com
força ilocucionária |
Frase/Oração
com função pragmática |
Feche a
porta!" (imperativa = oração) |
2.2
Explique em que nível ocorrem as mudanças propostas em
“Linguagem neutra – Versão ILE (íntegra)” (https://www.youtube.com/watch?v=sXxxhDa0u3E).
De acordo com
Rosa Laura, especialista no assunto, diz que a língua e a linguagem são
demarcadores de gênero e explica que usamos no português atualmente denotando
uma linguagem sexista, ou seja, quando usamos o neutro, não estamos
discriminando as pessoas de acordo com sua identidade de gênero e que a língua
é viva e deve ser usada para servir as pessoas e não a Academia Brasileira de
Letras, ou a gramática exclusivamente.
Disse que
a linguagem neutra é para ser usada por e para ''todes’ ‘e que não usamos mais
@ ou X, porque caiu em desuso, pois dificulta a leitura para quem é disléxico e
por causa das pessoas que tem imparidade visual ou de pessoas cegas.
Rosa menciona
que não se usa linguagem neutra quando referimos o nome dos objetos.
Nível das mudanças na Linguagem Neutra – Versão ILE
As alterações propostas no Sistema ILE ocorrem
principalmente em três níveis da língua:
1. Morfossintático (estrutura das palavras
e gramática):
Modificação dos
pronomes pessoais e possessivos, bem como dos substantivos e adjetivos, para
eliminar marcas de gênero.
2. Fonético e ortográfico (pronúncia e
escrita):
Alterações nas
terminações de palavras para uma forma neutra, utilizando "e" em vez
de "o" ou "a", e modificações em co/-ca e -go/-ga.
3. Pragmático e social (uso e impacto
comunicativo):
Adaptação da linguagem para promover inclusão e evitar
construções sexistas no discurso cotidiano.
Exemplos
de cada pronome neutro:
Ele/Ela → Ile/ Ile chegou cedo hoje para a reunião.
Dela/Dele → Dile/O cachorro é dile e está brincando no
quintal.
Aquela/Aquele → Aquile:/Aquile professor é muito
competente.
Nela/Nele → Nile:/Confio muito nile quando preciso de
ajuda.
Essa/Esse → Isse:/Isse livro me ajudou bastante.
Daquela/Daquele → Daquile:/Gostei bastante daquile
filme que assistimos ontem.
Desta/Deste → Diste;/ Diste argumento faz muito
sentido.
Sua/Seu → Sue:Sue opinião é muito importante para mim.
Nossa/Nosso → Nosse: /Nosse trabalho foi reconhecido
pela empresa.
Minha/Meu → Minhe/Minhe casa está sempre aberta para
amigues.
As mudanças propostas buscam oferecer um sistema
linguístico mais inclusivo, eliminando distinções de gênero para referir-se a
pessoas.
3. Quais são as
classes de palavras na língua portuguesa? Explique as diferenças entre classe e
potencial funcional de acordo com Perini (2005). Crie frases mostrando essa
diferença. Pode utilizar: “certo”, “bocejar”, “aí”.
Perini (2005)
propõe uma classificação das palavras em português com base em critérios
formais (morfossintáticos) e não apenas semânticos, como é comum na gramática
tradicional. Ele destaca que as classes são definidas por traços intrínsecos
das palavras (como flexão, regência, posição), enquanto o potencial funcional,
refere-se aos papéis sintáticos que uma palavra pode assumir em contextos
específicos. Ou seja, uma palavra pertence a uma classe fixa, mas pode
desempenhar funções variáveis.
Principais
Classes de Palavras:
1. Verbos:
Flexionam em tempo, modo, pessoa e número.
Exemplo: bocejar (Eles costumam bocejar após
o almoço).
Potencial funcional: Núcleo do predicado
(função oracional).
2. Substantivos:
Flexionam em gênero e número.
Exemplo: certo (como substantivo: "O
certo é estudar gramática").
Potencial funcional: Núcleo do sintagma
nominal (sujeito, objeto direto).
3.Adjetivos:
Flexionam em gênero, número e grau.
Exemplo: certo (como adjetivo: "A
resposta certa está na página 10").
Potencial funcional: Modificador do
substantivo ou predicativo.
4. Advérbios :
Não flexionam e modificam verbos, adjetivos ou outros advérbios.
Exemplo: *aí* ("Ele estava aí
ontem").
Potencial funcional : Adjunto
adverbial.
5. Pronomes:
Substituem ou acompanham substantivos, com traços de pessoa, número e
caso.
Exemplo: "Isso é importante" (isso
como pronome demonstrativo).
6. Preposições,
Conjunções, Relativos: Conectivos que estabelecem relações entre termos.
Exemplo: aí(como interjeição: "Aí!
Peguei você!").
Diferença entre Classe e Potencial Funcional :
Classe: É fixa e
definida por traços morfológicos e distribucionais.
Exemplo: bocejar é sempre um verbo, pois se
conjuga ("bocejei", "bocejavam").
Potencial
Funcional: Depende do contexto sintático.
Exemplo: certo pode ser:
Adjetivo: "O livro certo"
(modificador do substantivo).
Substantivo: "O certo é falar a
verdade" (núcleo do sujeito).
Frases Exemplificando a Diferença:
1.
"Certo"(classe variável):
Adjetivo: "Ela deu a resposta
certa." (modifica "resposta").
Substantivo: "O certo é chegar
cedo." (núcleo do sujeito).
2.
"Bocejar" (verbo):
Eles começaram a bocejar durante a
aula." (Núcleo do predicado).
3.
"Aí" (advérbio/interjeição):
Advérbio: "Ele mora aí " (adjunto
adverbial de lugar).
Interjeição: "Aí! Machuquei meu
pé!" ( expressão autônoma).
Perini enfatiza
que a classe é uma propriedade lexical fixa, enquanto a função é determinada
pelo contexto sintático. Essa abordagem evita ambiguidades da gramática
tradicional, que muitas vezes confunde forma e função (como chamar
"certo" de "adjetivo" apenas quando modifica um
substantivo).
4. Funções sintáticas:
4.1. Comente
brevemente a organização das funções sintáticas na NGB.
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) estabelece
um modelo estruturado para analisar as funções sintáticas, criando padrões que
permitem uma abordagem uniforme das orações na língua portuguesa. De acordo com
essa nomenclatura, são identificadas oito funções essenciais, entre elas o
sujeito, os objetos direto e indireto, o predicativo, o adjunto adverbial, o
agente da passiva, o aposto e o vocativo. Essa organização foi criada para
tornar o ensino da gramática mais claro e coeso, garantindo maior precisão na
interpretação das relações entre os termos da oração.
4.2. Conforme Perini (2016), em que casos pode ocorrer
verbo posposto ao sujeito? Dê exemplos.
De acordo com Perini (2016), o verbo pode
aparecer posposto ao sujeito (ou seja,
depois do sujeito) em algumas situações específicas na língua portuguesa.
Vejamos alguns casos:
1. Quando o sujeito é longo ou complexo
A posição pós-verbal ajuda na fluidez da frase.
Exemplo:
Veio ontem no município o governador do estado de São
Paulo com o ministro da saúde.
2. Quando há intenção de ênfase ou foco no verbo
Coloca-se o verbo no início para destacar a ação.
Exemplo:
Veio correndo um
homem sujo.
(Nesse caso, o foco está no fato de ter saído
correndo.)
3. Em construções literárias ou formais
É comum na linguagem poética ou mais elaborada.
Exemplo:
Saia fogo das pedras como se fosse um vulcão
incandescente.
4. Em frases com advérbio no início
A inversão do verbo ocorre por influência do advérbio
ou expressão adverbial.
Exemplo:
Na cozinha estavam os pais e seu primo.
4.3. Resuma os
contextos que propiciam o sujeito nulo de acordo com Castilho (2014)?
Segundo Castilho (2014), o sujeito nulo no português
brasileiro ocorre em contextos específicos. É favorecido pela agentividade do sujeito,
em que sujeitos agentes tendem mais à elisão. Também ocorre com morfologia
verbal rica, embora esse padrão esteja mudando com o empobrecimento da flexão
verbal. O fenômeno é mais comum na primeira pessoa do singular**, especialmente
em orações independentes com verbos no presente ou passado e em subordinadas.
Em interrogativas de segunda pessoa, também há omissão. Outros fatores incluem a
posição na frase (como em orações coordenadas ou dependentes), tipo de verbo
(inacusativos e com argumento oracional), e contexto discursivo. A tendência
diacrônica mostra redução da elisão, associada à perda da força da concordância
verbal como identificador do sujeito.
4.4.
Quais são os contrastes identificados por Bárbara da Silva Santana Lopes entre
o uso dos pronomes reto e acusativo no castelhano do Rio da Prata e no
português brasileiro?
Bárbara da Silva Santana Lopes identifica diferenças
marcantes entre os pronomes retos e acusativos no castelhano do Rio da Prata e
no português brasileiro. No português, o uso dos pronomes pessoais sujeito é
mais frequente devido à necessidade de distinção entre pessoas verbais, já que
a conjugação verbal muitas vezes não é suficiente para indicar o sujeito. No
espanhol, os pronomes retos são frequentemente omitidos, pois a conjugação
verbal já marca a pessoa gramatical. Por outro lado, no caso dos pronomes
acusativos, ocorre o oposto: em espanhol, a retomada do complemento é
obrigatória, enquanto no português brasileiro há uma tendência à omissão,
conhecida como objeto nulo ou retomada anafórica zero.
4.5. No trecho a
seguir de A extinção das abelhas
(Borges Polesso, 2021), identifique pelo menos uma vez: sujeito, argumentos ou
complementos (predicativo, COD, COI, etc.), adjuntos. Identifique a função como
assinalado na primeira frase.
Mãe, Eu [SUJEITO]
nem sei como te contar isso. Nossa casa pegou fogo. Não sobrou nada. Meus
livros, as colchas, minhas roupas, a cama, o armário, os espelhos, os copos, o
chão, a única foto que ainda não tinha sido consumida por algum fogo, tudo.
Quando eu cheguei, os bombeiros estavam falando com os vizinhos. Não temos mais
muitos vizinhos. Não tem mais muita gente aqui na cidade. Desde que as fábricas
dos arredores fecharam. Não se faz mais caminhão, mãe. Quem vai comprar
caminhão com o preço da gasolina do jeito que tá? Também quem leva e traz
produtos é tudo gente grandona. E quem sobrou aqui não precisa de caminhão.
Mãe, eu lembro
que tu dizia pra lavar bem as frutas pra tirar o veneno. Pois não adianta mais.
Nem lavando. Tá tudo envenenado. Tá tudo desmatado pra criar gado, mas a carne
é cara igual. Tem um monte de gente morando na rua. As coisas foram ficando
muito ruins, muito rápido. Tem o presidente, que eu não sei se tu sabe quem é.
Eu adorava a mulher dele quando era pequena. Tu lembra que eu queria participar
de um fã-clube? Que eu voltei pra casa com uma carteirinha e te disse que ia
custar uma quantia de dinheiro que não lembro agora qual era, mas não era
muito, só que tu e o pai não tinham muito e tu achou bobagem e não me deu o
dinheiro e no dia seguinte a minha colega pediu minha carteirinha de volta e
picotou ela com a tesoura na minha frente e disse que se eu não podia pagar
também não podia fazer parte do fã-clube? Pois é, mãe, são essas pessoas que
agora administram e governam e regem o mundo.
Nas frases
abaixo, retiradas do texto temos:
|
‘’Mãe , eu nem
sei como te contar isso.’’ |
Sujeito: Eu (quem realiza a ação de "saber").
Complemento Indireto (COI): te (objeto indireto do verbo "contar" — contar a
ti).
Complemento Direto (COD): isso (objeto direto do verbo "contar").
Demais identificações no texto:
Sujeitos :
|
1.Nossa casa
pegou fogo. → Nossa casa (sujeito da
ação pegar fogo). |
|
2.Quando eu
cheguei, os bombeiros estavam falando com os vizinhos. → os bombeiros(sujeito
do verbo estavam falando). |
|
3. Quem vai
comprar caminhão...? → Quem (sujeito interrogativo). |
Complementos Diretos (COD):
|
1. Não sobrou nada. → "nada"(objeto direto
de "sobrou"). |
|
2. Eu lembro que tu dizias...→ que tu dizias (oração
subordinada como COD de lembro). |
|
3. Tá tudo
envenenado. → tudo (objeto direto de está). |
Complementos Indiretos (COI):
|
1. os bombeiros estavam falando com os vizinhos.→ com os vizinhos(COI de
falando). 2. tu dizias pra lavar bem as frutas...→ pra lavar (COI implícito: dizias a
mim). |
Predicativos:
|
1.Tá tudo
envenenado.→ envenenado
(predicativo do sujeito tudo.) |
|
2.a carne é cara igual. → cara (predicativo do sujeito a carne). |
Adjuntos (circunstanciais):
|
1. Quando eu
cheguei...→ Quando eu cheguei (adjunto
temporal). |
|
2. Nem
lavando. → lavando (adjunto modal,
indica modo). |
|
3.com a tesoura na minha frente → com a tesoura (adjunto instrumental),
na minha frente (adjunto locativo). |
5. Explique valência
verbal em Perini (2016) .
-Para dar
exemplos, utilize o dicionário ou escolha pelo menos dois dos seguintes verbos:
apanhar, convidar, implicar, caber.
-Com esses mesmos
casos escolhidos, analise a relação entre funções sintáticas e papéis
semânticos/temáticos.
Na Gramática
descritiva do português brasileiro, Perini aborda a valência verbal como a propriedade que determina o número e o
tipo de argumentos (sintagmas) que um verbo exige para formar uma estrutura
gramatical completa. A valência está diretamente ligada à capacidade do verbo
de "atrair" elementos para sua orbita sintática, definindo funções
como sujeito, objeto direto, objeto indireto, etc.
Exemplos com Verbos:
1. Apanhar
Valência: Transitivo direto (exige sujeito e
objeto direto).
Exemplo: "O menino apanhou a
bola."
Funções sintática: Sujeito ("O
menino"), Objeto direto ("a bola").
Papéis semânticos: Agente (quem executa a
ação: "O menino"), Paciente (o que sofre a ação: "a
bola").
2. Convidar
Valência: Transitivo direto e indireto (exige
sujeito, objeto direto e objeto indireto).
Exemplo: "Ela convidou os amigos para
a festa."
Funções sintáticas: Sujeito
("Ela"), Objeto direto ("os amigos"), Objeto indireto
("para a festa").
Papéis semânticos: Agente
("Ela"), Paciente ("os amigos"), Destinatário/Beneficiário
("a festa").
3.Implicar
Valência: Pode ser transitivo direto ou
bitransitivo (dependendo do contexto).
1.(transitivo direto): "O professor
implicou com o aluno."
Funções sintáticas: Sujeito ("O
professor"), Objeto indireto ("com o aluno").
Papéis semânticos : Agente ("O professor"), Alvo
("o aluno").
2 (bitransitivo): "Isso implica custos
altos."
Funções sintáticas: Sujeito
("Isso"), Objeto direto ("custos altos").
Papéis semânticos: Causador
("Isso"), Resultado ("custos altos").
4. Caber
Valência: Intransitivo ou transitivo
indireto (exige sujeito e pode exigir objeto indireto).
1 (intransitivo): "Ainda cabe mais
gente."
Funções sintáticas: Sujeito ("mais
gente").
Papéis semânticos:Tema ("mais
gente").
Exemplo 2 (transitivo indireto): "Cabe
a você decidir."
Funções sintáticas: Sujeito
("decidir"), Objeto indireto ("a você").
Papéis semânticos: Responsável
("você"), Ação ("decidir").
Perini destaca
que as funções sintáticas (sujeito, objeto, etc.) são categorias formais,
enquanto os papéis semânticos/temáticos (agente, paciente, destinatário, etc.)
são categorias de significado. A relação entre elas é mediada pela valência do
verbo.
Por exemplo: Em
"O menino apanhou a bola",
o sujeito ("O menino") assume o papel de agente, e o objeto direto
("a bola") é o paciente.
Em "Ela convidou os amigos", o objeto
direto ("os amigos") é o paciente*, mas em "Cabe a você
decidir", o objeto indireto ("a você") é o responsável.
6.
Relacione a palestra de Marcos Bagno (10min-32min) (https://www.youtube.com/watch?v=Z02TY8TMC4k&t=6298s&ab_channel=UNERFcad) nas X Jornadas Internacionales de Enseñanza de
la Lengua Portuguesa e a tabela dos pronomes pessoais no português
brasileiro conforme Castilho (2010, 2021). Explique com suas palavras algumas
das mudanças no português brasileiro no quadro pronominal que o afastam da
variedade europeia.
O português brasileiro apresenta mudanças significativas no uso dos
pronomes pessoais que o diferenciam da variedade europeia. Algumas dessas
mudanças incluem a ubstituição de "tu" por "você": Em
grande parte do Brasil, o pronome "tu" foi substituído por
"você", simplificando a conjugação verbal para a terceira pessoa.
Em Portugal, "tu" ainda é amplamente utilizado.
Desaparecimento de "vós": O pronome "vós", comum em
Portugal em contextos formais ou religiosos, praticamente não é usado no
Brasil, sendo substituído por "vocês".
Uso de "a gente" no lugar de "nós": No Brasil,
"a gente" é frequentemente usado como substituto de "nós",
o que também simplifica a conjugação verbal para a terceira pessoa do singular.
Ambiguidade nos possessivos: Os pronomes possessivos "seu" e
"sua" frequentemente causam ambiguidades no português brasileiro,
levando ao uso de "dele" e "dela" para maior clareza.
Essas mudanças refletem uma tendência de simplificação e adaptação ao
uso cotidiano, tornando o português brasileiro mais informal e distante da
norma europeia.
7. Reconheça no
excerto a seguir de “Obesidade infantil dispara na geração TikTok” da Revista
Piauí (https://piaui.folha.uol.com.br/fome-na-geracao-tiktok/) as preposições (sem repetir[1]) e conjunções:
A
endocrinologista Maria Edna de Melo acompanha de
perto a transição nutricional no Brasil. Desde
2007 ela chefia a Liga de Obesidade Infantil da Faculdade de Medicina da USP,
um grupo que acompanha pacientes da instituição ou casos indicados por
outros especialistas. Nos últimos anos, Melo
começou a notar uma diferença no padrão de atendimento de crianças com obesidade: elas chegam ao hospital mais jovens e com quadros cada vez mais graves. Há pouco tempo
atendeu um menino de 7 anos que sentava no chão porque
(causa) não conseguia subir na cadeira e tinha dificuldade até para se locomover.
Também se tornou assustadoramente comum atender meninas e meninos que têm
colesterol alto, hipertensão e diabetes antes de chegar
à adolescência. “Eu nunca tinha visto isso
antes”, diz a especialista.
Além
das doenças
crônicas relacionadas ao excesso de peso, muitas crianças com obesidade –
incluindo os níveis mais severos – não escapam da desnutrição. Não porque elas
não têm o que comer, mas (oposição de ideias) porque
suas dietas costumam ser pobres em nutrientes
essenciais. Assim como (conjunção subordinada
comparativa) dividem o mesmo país, desnutrição e obesidade podem dividir
a mesma cidade, a mesma casa e até o mesmo
corpo. Exames de sangue dos pacientes atendidos
no ambulatório da USP mostram deficiências de todos os tipos: de ferro, de
vitaminas, de minerais. “Até a década de 1990,
a fome era nossa principal preocupação quando (conjunção
subordinativa temporal) falávamos sobre saúde nutricional das crianças. Mas agora temos esse outro problema”, explica
Melo. Segundo ela, a tendência é que (conjunção subordinativa integrante) aumente o
número de pessoas com excesso de peso, mas desnutridas, graças à má qualidade dos alimentos ingeridos. “Hoje não vejo
luz no fim desse túnel”, diz.
8. Identifique no fragmento do artigo de Guilherme
Werneck na edição do sábado do Meio
-Os pronomes empregados
-A introdução e a retomada dos referentes mantendo as mesmas cores para
cada continuidade referencial.
Edição de Sábado: Por dentro das pesquisas
Por Guilherme Werneck
Sexta-feira à noite, dois dias antes da eleição.
Pablo Marçal (PRTB), candidato à prefeitura de São Paulo, posta em sua conta no Instagram
um laudo com uma suposta internação de Guilherme Boulos
(PSOL) por uso de drogas. Àquela altura, os dois candidatos e o prefeito
Ricardo Nunes (MDB) seguiam em um
empate tríplice nas pesquisas de intenção de votos. O tiro saiu pela culatra.
Os desmentidos sobre o laudo começaram a
aparecer pouco tempo depois de o post ser publicado. Parecia jogo dos 7 erros. Boulos aparecia em fotos e
vídeos na data em que estava internado, o número do RG do candidato do PSOL estava com um
número a mais, o nome da clínica estava errado, havia erros gramaticais, o
médico nunca havia trabalhado naquela clínica, a filha desse médico, morto em
2022, afirmou que aquela não era a assinatura dele. Nesta semana, o óbvio
foi atestado pela perícia: o laudo era falso. O
estrago estava feito.
Foi
uma das eleições mais acirradas na capital paulista, e é certo que esse
episódio teve influência nos resultados da disputa pela prefeitura em São
Paulo, com Nunes
chegando em primeiro lugar, com 29,48% dos votos válidos; Boulos em segundo, com 29,07%;
e Marçal em
terceiro, com 28,14%. A diferença entre Boulos e Marçal
foi de 56.853 votos. Três pesquisas foram divulgadas no sábado, um dia antes
das eleições. O Datafolha mostrava Boulos com 29% e Nunes e Marçal com 26%, a Quaest dava Boulos com 29%, Marçal
com 28% e Nunes com
27%, já a Atlas Intel mostrava
um cenário bem diferente: Boulos com 29,9%, Marçal com 27,8 e um
distante Nunes com
18,6%.
Um
olhar leigo poderia ler essa discrepância como um viés de determinada pesquisa.
Talvez por isso a Atlas Intel
tenha publicado um post no Instagram na quarta-feira após as eleições,
em que listava os institutos de pesquisa que tiveram resultados mais próximos
do que mostraram as urnas — seus resultados foram os mais acurados em 8 das 26
capitais —, e uma longa justificativa de por que havia ficado tão distante em
São Paulo. Basicamente, porque a pesquisa havia sido encerrada na sexta-feira
antes do episódio do falso laudo.
Esse
é um caso bom para discutir não só como são feitas as pesquisas eleitorais, mas
também para pensar em como devemos olhar para elas, como ler esses números.
Ainda mais em um momento em que as pesquisas passaram a ser questionadas
pesadamente. O movimento começa com o discurso de Bolsonaro no 7 de setembro
de 2022, com ataques ao Datafolha,
que foi seguido por uma onda de seus apoiadores de não responder às pesquisas do instituto.
|
Pablo
Marçal → AMARELO Guilherme Boulos → VERMELHO Ricardo Nunes → VERDE Laudo falso → VERDE ESCURO Pesquisas eleitorais → ROSA
Atlas Intel → CINZA |
1. Pronomes Pessoais:
"sua" (conta no Instagram) -
refere-se a Pablo Marçal.
"ele" (implícito em "o post
ser publicado") - refere-se ao post de Pablo Marçal.
"ele'' (médico morto em 2022) -
refere-se ao médico citado no laudo falso.
'ele" (no discurso de Bolsonaro) -
refere-se a Bolsonaro.
2. Pronomes Demonstrativos:
"aquele" (na frase "àquela
altura") - refere-se ao momento da eleição (sexta-feira à noite).
"esse" (episódio) - refere-se ao
episódio do laudo falso.
"esse"(caso) - refere-se ao caso
do laudo falso e suas consequências.
"Esse" (no início do último parágrafo)
- retoma o caso discutido.
3.Pronomes Relativos:
''que"(em "que havia ficado tão
distante") - refere-se à Atlas Intel.
"que"(em "que listava os
institutos") - refere-se ao post da Atlas Intel.
que" (em "que as pesquisas
passaram a ser questionadas") - introduz uma explicação sobre o momento
atual.
4. Pronomes Indefinidos:
"uma" (em "uma longa
justificativa") - indetermina a justificativa, mas retoma a explicação da
Atlas Intel.
1. Pablo Marçal (PRTB)
Introdução: "Pablo Marçal (PRTB),
candidato à prefeitura de São Paulo..."
Retomadas: "postou em sua conta no
Instagram..." (sua →
Pablo Marçal)
"os dois candidatos e o prefeito Ricardo Nunes..." (Pablo Marçal é um dos
candidatos)
"Marçal em terceiro, com 28,14%."
2. Guilherme Boulos (PSOL)- Introdução:
"Guilherme Boulos (PSOL)
por uso de drogas."
Retomadas: "Boulos aparecia em fotos e vídeos..."
"o número do RG do candidato do
PSOL..." (PSOL → Boulos)
"Boulos em segundo, com 29,07%."
3. Ricardo Nunes (MDB)
Introdução: "o prefeito Ricardo Nunes (MDB)..."
Retomadas: Nunes chegando em primeiro lugar, com
29,48%."*
4. O laudo falso
Introdução: "um laudo com uma suposta
internação de Guilherme
Boulos..."
Retomadas:
"Os desmentidos sobre o laudo
começaram a aparecer..."
"o óbvio foi atestado pela perícia: o
laudo era falso''.
"o episódio do falso laudo."
5. As pesquisas eleitorais
Introdução: "pesquisas de intenção de
votos."
Retomadas:
''Três pesquisas foram divulgadas no
sábado..."
"O Datafolha mostrava... a Quaest dava... a Atlas Intel mostrava..."
"como são feitas as pesquisas eleitorais..."
"as pesquisas passaram a ser
questionadas pesadamente."
6. A Atlas Intel
Introdução: "a Atlas Intel mostrava um cenário bem
diferente..."
Retomadas:
"a Atlas Intel tenha publicado um post no
Instagram..."
"seus resultados foram os mais
acurados..."
"por que havia ficado tão distante em
São Paulo."
9. Reecreva o seguinte parágrafo de O avesso da pele (Jeferson Tenório, 2020) com as indicações abaixo
sem prejuízo da coesão nem da coerência do original:
a.
em azul crie uma
oração subordinada adverbial a partir de um adjunto adverbial simples
b.
em laranja
uma adjunto adnominal simples que no original é oracional (oração subordinada
adjetiva restritiva)
c.
em MAIÚSCULO mantenha duas conjunções do original
d.
em vermelho um período
composto por coordenação trocando ou tirando a conjunção em seu texto.
e.
Em verde uma oração
subordinada adverbial que passou a ser adjunto adverbial em seu texto
f.
Em rosa uma frase
na ordem direta/canônica no português brasileiro
g.
Em azul claro uma
topicalização do original.
No
seu último ano de vida você começou a trabalhar numa escola à noite. ( ''Quando você estava no seu último ano
de vida, começou a trabalhar numa escola à noite.)Suas turmas eram do EJA, Educação
de Jovens e Adultos. Você tinha duas turmas, que correspondiam à sétima e à
oitava série do ensino fundamental. Ao longo dos anos, o perfil de alunos do
EJA foi se modificando. Antes os alunos eram mais velhos e haviam parado de
estudar por algum motivo e depois, já na maturidade, voltavam para a sala de
aula. Mas agora, não. Agora a maioria dos alunos eram adolescentes que não
deram certo no turno do dia. São os refugos. Os que não se enquadram. Os
repetentes. Os que ninguém quer por perto. Os mal-educados. Todos colocados
numa sala. Todos com uma enorme tarja na testa: os fracassados, você pensava.
Tratava-se, portanto, de uma bomba-relógio, pois, ao se verem na mesma sala,
eles se reconheciam como fracassados e já sabiam por que estavam juntos. Ora,
ora, vejam só: somos os piores na mesma sala. Agora eles vão ver como somos os
piores mesmo. Quando você entrou pela primeira vez na turma T1 e deu boa-noite,
ninguém percebeu sua presença, na verdade eles perceberam mas fizeram questão
de te ignorar. Você então foi para a frente do quadro e pediu atenção para
começar a aula. No entanto, muitos estavam virados para o lado, para a janela
ou para trás. Nesse momento, você se lembrou de um amigo professor que, certa
vez, quando uma turma não lhe dava a mínima atenção, não teve dúvidas, deu um
soco na mesa com tamanha força que a quebrou no meio.
Quando você estava no seu último ano de
vida, começou a trabalhar numa escola à noite. Suas turmas eram do EJA,
Educação de Jovens e Adultos. Você
tinha duas turmas, correspondentes à sétima e à oitava série do ensino fundamental.ao
longo dos anos, o perfil de alunos do EJA foi se modificando. Antigamente, os alunos eram mais velhos e haviam parado de estudar por algum motivo, depois, já na maturidade,
voltavam para a sala de aula .Mas agora, não. A maioria dos alunos eram adolescentes OS QUE NÃO DERAM CERTO NO TURNO DO DIA, esses são
os refugos. Os que não se enquadram. Os repetentes. Os que ninguém quer por
perto. Os mal-educados. Todos colocados numa sala. Todos com uma enorme tarja
na testa: os fracassados, você pensava. Tratava-se, PORTANTO, de uma bomba-relógio,
POIS, ao se verem na mesma sala, eles se reconheciam como fracassados e já
sabiam por que estavam juntos. Ora, ora, vejam só: somos os piores na mesma
sala. Agora eles vão ver como somos os piores mesmo. Você entrou pela primeira
vez na turma T1 e deu boa-noite, ninguém percebeu sua presença, na verdade eles
perceberam mas fizeram questão de te ignorar. Você então foi para a frente do
quadro e pediu atenção para começar a aula. NO ENTANTO,
muitos estavam virados para o lado, para a janela ou para trás. Nesse momento,
você se lembrou de um amigo professor que, certa vez, quando uma turma não lhe
dava a mínima atenção, não teve dúvidas, deu um soco na mesa com tamanha força
que a quebrou no meio.
Legenda das alterações:
a. Azul: Oração subordinada adverbial temporal
b. Laranja: Adjunto adnominal simples
c. MAIÚSCULAS: Conjunções "PORTANTO" e "POIS"
mantidas
d. Vermelho: Período composto por coordenação
modificado
e. Verde: Adjunto adverbial "Antigamente"
(era oração)
f. Rosa: Frase na ordem direta (Sujeito + Verbo +
Complemento)
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